Em busca do tempo perdido

Marcel Proust

 

        Quando as memórias são narradas e registradas na escrita elas se tornam biografias e o sujeito da história tem a oportunidade de se tornar, ao mesmo tempo, leitor, escritor, intérprete e reinventor da própria vida.

 

 Algumas exigências viabilizam esse processo criativo: transpor o caráter utilitarista do tempo cotidiano, adicionando duração e atenção à percepção” (Henri Bergson), e conceber o desejo legítimo de “partilhar com outro uma nova experiência” (Paul Ricoeur, Tempo e Narrativa).

 

Esses são os princípios fundamentais da Oficina de Biografia do Idoso, que propõe o autorrelato como “um locus privilegiado do encontro entre a vida íntima do indivíduo e sua inscrição numa história social e cultural” (Isabel C. M. Carvalho).

 

Trata-se de uma jornada em busca do tempo perdido nos moldes proustianos, uma investigação filosófica-jornalística-literária com o objetivo de, enfim, aprender a "ler" o passado:

 

          “Por isso não se deve temer no amor, como na vida habitual, tão somente o futuro, mas também o passado, o qual não se realiza para nós muitas vezes senão depois do futuro, e não falamos apenas do passado que só se revela mais tarde, mas daquele que conservamos há muito tempo em nós e que de repente aprendemos a ler.”

(Marcel Proust em “No Caminho de Swann”, da obra "Em Busca do Tempo Perdido")

 

 

 

A Oficina de Biografia do Idoso estimula a memória, desenvolve a linguagem, amplia autoestima, sociabilidade e criatividade. Destina-se não só ao público acima dos 50 anos como aos seus familiares. Tem o objetivo de resgatar e registrar memórias em livro. Entrevistas individuais ou sessões em grupo. Baseia-se em método desenvolvido por Christiane Brito, jornalista e biógrafa, pós-graduanda em Gerontologia.